Um poema à laia de coelhinho da Páscoa tirado da cartola


Cristo morreu há mil e tanto anos;
foi descido da cruz, logo enterrado:
mas até aqui de pedir não têm cessado
para o sepulcro dele os franciscanos.

Tornou Cristo a surgir entre os humanos,
subiu da terra aos céus, lá está sentado,
e ainda à saúde dele, sepultado,
bebem (o saco o paga) estes maganos.

E cuida quem lhes dá a sua esmola
que eles a gastam em função tão pia?
Quanto vos enganais; oh gente tola!

O altar-mor com dois cotos se alumia;
e o frade com a puta, que o consola,
gasta de noite o que lhe dais de dia.



Filinto Elísio (Lisboa/1734 - 1819/Paris) In Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, Lisboa: Antígona/Frenesi, 3ª edição, 2000




[Imagem: Capa da Playboy de Agosto de 1961]

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