Corpo ou não, eis a questão*


O Senhor Doutor acha que eu me refiro aos homens de forma pouco corpórea?... Ah, com excepção do instrumento!... Pois, Senhor Doutor, se calhar tem razão!... Ora deixe cá ver... pois, com excepção do 11, do 17 e claro, do 33 nada mais há a recordar. Chega saber que existiram na história da minha vida e que tinham instrumento, ou melhor, que tocava.

Sabe, Senhor Doutor, uma coisa é olhá-los num café, num restaurante, num qualquer sítio público que sempre dá para lavar as vistas. Mas de resto, os homens servem para dar uma voltinha e depois são perfeitamente descartáveis. Que corpo hão-de ter uns seres que concentram a maioria das suas energias em içar a sua ponte levadiça para chegarem ao buraco mais próximo e vomitarem, não me diz?... Raramente têm braços para envolver que mais vale a toalha do banho. Raramente têm língua para nos saborear que melhor serviço faz um chuveiro bem direccionado. Raramente têm pernas para nos abraçar que até mais vale comprar meia dúzia de gatos para dormirem connosco na cama. E mesmo o tronco, às vezes é tão cara de pau que até aqueles substitutos a pilhas são bem mais eficientes.

Sabe, Senhor Doutor, creio que lhes falta imaginação o que me coloca a dúvida se existem do pescoço para cima.

[Imagem gentilmente enviada por NC]
* Texto originalmente publicado em 08.01.2004

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