Ó meu rico Santo Antoninho


A gordura da sardinha escorria-lhe suavemente do canto da boca para a covinha do queixo e a minha língua aflita recolheu-a antes que se tornasse nódoa de roupa. Ele agradeceu-me com a reciclagem do óleo no céu da sua boca e um intenso arrimar do seu carapau contra o côncavo da minha canastra apenas resguardada por um diáfano tule de vestido. Uma receita asadinha para as nossas mãos bailarem nas nádegas do parceiro numa marchinha de encosta-te a mim até que o pipo fique escorrido.

Já que as sardinhas estavam comidas abalámos para um arraial mais caseiro sem a sanfona do cheira bem cheira a Lisboa mas antes na quadra mais brejeira do primitivo cheiro de cada poro do outro e até de beber à bica gotas de suor salgado. E já ia a coisa adiantada que o líquido na cabecinha dele como o algodão não enganava quando me bateu na testa que não tinha preservativo e o raio do manjerico cuja revelação o fez murchar como se porventura eu tivesse enterrado o nariz entre as suas partes, também não. Muitos são os nascidos em Março por via dos santos populares mas sinceramente não me apetecia fazer parte das estatísticas e ainda equacionámos o saltar do comboio em andamento dos nossos avós, coisa arriscada por mor de poderem descarrilarem alguns espermatozóides antes do tempo. E já que o meu rico Santo Antoninho apadrinhava o dia sugeri ao meu santinho de carne macia que podíamos ser práticos e dedicarmo-nos à folia apenas com o cuidado do final ser a partir a bilha.


[Foto © Franca Alejandra, 2007,
Hardcore for real]

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