Com uma volta na ponta


Valha a verdade que ele é bom numa coisa: a penetrar-me como se não houvesse amanhã e esse fosse o seu único objectivo de vida. É daquelas recordações que me intumescem e humedecem mas aceitar um ex de volta parece-me um resto de comida requentada no microondas e creio piamente que ele só quer regressar para entrar por mim adentro.

Não me esqueço da seca da canja de galinha refeição sim, refeição não nem das noitadas pelas discotecas que se até são uma coisa pela qual me pelo e que me dão vontade de despir todinha depois metiam pelo cano toda a intimidade com o séquito que ele carregava para todo o lado como se para ser homem não lhe bastasse estar comigo e precisasse de umas quantas cabeças de cães de carro dos anos sessenta a acenar à velocidade do condutor. Já para não falar que tive de contratar mais cozinheiras para estar sempre uma de serviço a qualquer hora e um gajo a tempo inteiro para tratar da piscina que até valia o dinheiro que lhe pagava por mor de bem me lavar as vistas com aquele torso nu de inverno ou de verão de uma musculatura segura de vinte e tais aninhos. Uma tenrura que fazia salivar o palato de qualquer uma.

Ora como sou prática, vou antes ser accionista da farmácia por via da compra de preservativos de todas as cores e sabores e deixo-o reaparecer mas apenas em unidose.

[Ilustração: © Filip Bojovic via Gugazine]

4 comentários:

Maldonado disse...

Então neste caso quantas caixas precisarás? :))

maria_arvore disse...

Maldonado,
apenas uma unidose de uma caixa de cada vez que ele apareça... é que permanente só uso a tinta e não quero deixar passar o prazo de validade.

Maldonado disse...

Eh lá, tu queres mesmo tirar a barriga de misérias! :))

maria_arvore disse...

Maldonado,
sigo muito o D. Diniz na predilecção pela poesia, pelos pinhais e pela frase em que dizia «nem sempre rainha, nem sempre galinha». :)