Ensopado de borreguinho


O grupo entremeado de machos e fêmeas lá discutia à mesa do borrego assado com batatinhas no seu molho a última cornada do Pinho que o espetou no sossego berardiano, uma faena carnuda com muitos bandarilhas de piadolas.

E de tanto puxar aquele naco lá rabejámos para comer gajos e gajas. Um houve que se enxofrou com tal canibalismo que como o João Pedro Pais ele defendia que ninguém é de ninguém e dava o seu corpo ao sacrifício de quem com ele partilhava o seu como um altar de amor qualquer que fosse a duração e o orgasmo. E eu que até o queria comer tantas vezes o sonhara nuzinho em pêlo mas obviamente sem uma maçã na boca mas com os seus tomates na minha mão saltei pelo verbo comer como acto de paixão e de prazer equitativo fosse na mesa ou na cama ou em qualquer sítio aprazível para o efeito.

Que cá na minha, mais do que destruir é absorver o outro inteirinho, nos mais ínfimos pormenores e deixá-lo intacto sem estragar nada. Qualquer coisa primitiva como as tribos que comiam o conteúdo das cabeças dos inimigos para guardarem a sabedoria deles mas neste caso sem o matar a não ser pela simulação de morte que fazemos no clímax. Que esta coisa animal do desejo torna-se mais humana por também querermos comer os miolos e fazer do amor o querer comer o outro até às tripas.


[Foto © Henri Cartier Bresson, México, 1934]

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