A gota 69 do oceano


O Dalai Lama faz hoje 69 anos e nada tem a ver com a minha apetência particular para com este número que me dá muita paz interior mas porque ele nasceu mesmo em 1940.

Contudo, não sei se consigo escrever esta crónica que estou aqui num frenesi para ir ver a nova loja de chineses que abriu aqui ao pé do estaminé no sítio onde era a frutaria da dona Adosinda e que deve estar cheia de roupinhas e berloques domésticos ao preço da uva mijona. Em abono da verdade eu nem reparo muito nas etiquetas e quando me dá o cheiro a pechinchas para ter mais umas peças novas no armário aconchego-as muito a mim como se dançasse com um gajo a convidá-lo para o acasalamento numa daquelas cenas cinéfilas em que o encosto à parede e alço uma perna aberta até fincar o pé nas suas ancas e o meu baixo ventre na sua genitália, apalpo o tecido como se fosse a pele do dito e cheiro-as como se absorvesse feromonas do pescoço do pessegão apetitoso. É de tal forma enebriante que nem lembro que aquilo é feito e mal pago por resmas de chineses que de forma muito zen aceitam a penetração e a desgraça como os tibetanos.

No fundo, sofro do síndroma do sessenta e nove em que os trapinhos me seduzem a engoli-los todos e eles se colam completamente a mim até me humedecerem na perspectiva garota de cativar todos os olhares em redor.


[Foto © DDiarte, 2008, Fashion Crash]

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