O gesto é tudo

Anda tudo num virote com o aumento de casos da gripe A e a querer comprar máscaras e até a equacionar o uso de burka como medida protectora e isto é um manifesto exagero como circular rodeado de guarda-costas por todos os lados menos por um, que é a cabeça e não o rabo, pela dificuldade de colocar um a levitar sobre nós.

Se nos casos da barba hirsuta de três dias ou mal semeada à Miguel Sousa Tavares ou dos encantadores buços femininos à Frida ou dos aparelhos dentários com estrelinhas coloridas até se justificaria o uso de máscara por prevenção estética creio que seria uma perda a visão de lábios carnudos a salpicar a paisagem de pontos vermelhos como semáforos urbanos de desejo ou papoilas campestres de paixão.

Também me parece desaconselhável o uso da burka porque no clima tropical de estação das chuvas que vivemos no país vinha mais uma bátega de água e ensopava as ditas às mulheres e aos homens trazendo à colação as suas formas e corríamos o risco de contribuir mais para o crescimento do índice de natalidade do que para o PIB.


Creio que devemos antes seguir os conselhos de S. Jorge, santo protector da saúde dos portugueses e dos exploradores - porque desconhece software que não seja da Microsoft - e lavar sempre as mãozinhas. Aos homens recomenda-se particularmente que as lavem antes e depois de porem o zézinho a urinar que certamente não o querem engripado, de monco caído e a espirrar fora de contexto.

E ganhar o hábito essencial de um novo gesto: tapar o nariz e a boca antes de espirrar ou de tossir, como as fotos ao lado documentam. Podemos assim todos continuar a envergar as roupinhas que os nossos cartões de débito e crédito podem comprar e dar um ar de graça neste gesto que tem também a utilidade de nos permitir conferir que o nosso perfume aguenta muitas horas por dia e que foi mais uma escolha acertada deste nosso eu que muito amamos. Calculamos que os homens possam sentir mais alguma dificuldade a executar este gesto de tão habituados que estão a levar a mão às partes baixas mas com treino e a motivação certa de saberem a cada minuto que cheiram a homem não é nada que não se resolva.


[Fotos: © Paulo Almeida (Pasma), 2007, P.lo; © J.P. Sousa, 2007, Defenseless]

6 comentários:

Bartolomeu disse...

Aquilo ultrapassa o conceito do gesto, aquilo é o compêndio inteirinho da mímica, mais as adendas e erratas ao mesmo... estarei errado!? E... nem sou daqueles que dá o cu e oito tostões por um fio dental... sou muito mais dos que se babam por uns boxer em seda salmão, ou... champanhe... e coiso... e tal...

maria_arvore disse...

Bartolomeu,
embore aprecie o teu gosto de gentleman pela seda salmão ou champanhe que me lembra os tempos em que a Marcus&Spencer por cá estava gosto mais da mímica tipicamente masculina da foto de fundo negro: é todo o corpo feito a frase eu sou gajo! :)

lili disse...

Os chineses têm o hábito de lavar as mãos antes de irem urinar (acho esta última palavra tão ordinária, lol).

Anónimo disse...

colação?

maria_arvore disse...

Caro Anónimo,
claro que é colação! E só lhe posso agradecer pela correcção.

maria_arvore disse...

lili,
e fazem eles muito bem que assim só lhes dá gripe nos bicos das aves.

(até entendo mas como a palavra alternativa começada por eme ainda me parece mais, costumo usar urinar que regar as flores parece-me muito maricas)