Tira nódoas



Ó Senhor Doutor, não existirá um tira-nódoas tão eficaz que nos remova da pele aqueles que a tocaram, acariciaram, lamberam e se entranharam em nós pela derme adentro e continuam a circular pelos nossos vasos sanguíneos?...

Quando se termina uma relação daquelas em que investimos todos os ossinhos, todos os músculos e neurónios primeiro fazemos um novo corte de cabelo, como se mudar a imagem capilar fosse renascer. Depois, vão de enfiada todas as depilações possíveis e massagens com tudo e até as sensuais pedras quentes como mézinhas para a nossa pele voltar à de bébé, limpa e sem memórias. E de seguida é desatar a copular com todos os pares de pernas e nádegas minimamente sedutores que ergam perante os nossos olhos um marzápio tão sedento de nadar na nossa piscina como nós de atulharmos o vazio das nossas paredes vaginais e do nosso céu da boca que a trilogia clássica é com mais tempo. É consabido que a satisfação imediata de uma agenda preenchida e em roda vida entre vários parceiros nos adrenalina e conseguimos voltar a olhar-nos nos espelho a medir a consistência do peito e a medir palmo a palmo o aveludado das nossas nádegas. 

Até que num momento, completamente despidos e já em amassos de carnes nos lembramos daquele que não era circuncidado perante a visão deste que o é e que também não tem aquele sinal de nascença no cimo das coxas e até a cor dos testículos era mais arroxeada e ó que porra que a excitação do momento desceu a graus negativos.

A minha inquietação Senhor Doutor, é pensar que como naquele filme O Despertar da Mente ou Eternal Sunshine of the Spotless Mind ou quejandos mesmo que apagasse as memórias era capaz de voltar a desejar o mesmo. Não irão mesmo inventar um tira nódoas para a paixão?...

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