Uma imagem



Ai se ele soubesse!... Se ele soubesse que é a voz dele que me põe logo a escorrer gotinhas como uma torneira mal fechada. Se ele soubesse que são as ideias que a voz dele me transmite que ressoam em mim de tal forma que me assola uma vontade incontrolável de estender e distender os músculos vaginais enquanto decorre a comunicação como se fora uma genitália máscula a penetrar-me o corpo todo sem lhe escapar um porozinho que seja.

Que nós não usamos aquela modernice das chamadas com câmara pelo smartphone ou pelo skype, Senhor Doutor, que isso é uma invasão da nossa privacidade, da nossa intimidade. Com tanta imagem em circulação por aí, que são já milhões delas a entrarem-nos pelos olhos adentro, pela televisão, pela net, que usar isso seria vulgarizar a nossa imagem de um perante o outro.

Se ele soubesse que meto o dedo na boca nos espaços em que o ouço, contornando a ponta do indicador com a língua e pior, que às vezes me atiro para a cama, de barriga para baixo, para melhor erguer as nádegas e as agitar numa dança de rumba, salsa ou quiçá kizomba que está agora tão em voga, seria mau demais. Porque Senhor Doutor, nenhum homem gosta que uma mulher prefira a sua criatividade à sua virilidade física, não é?... 

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