Sete





Carl Sagan às colheradas desde pequenina só podia dar na permanente tentação de pesquisar outros universos. E aquele espécimen eram sete de uma assentada. Como as saias das nazarenas eram sete camadas de pele sobrepostas. De menino púbere a velho sabedor, sem cãs devido à lisura da cabeça, entremeado de adolescente contestário a espreitar a sua sombra no chão, jovem musculado que já gostava de se olhar ao espelho,  trintão dedicado à procriação intensa e natural, quarentão eficaz a repetir as técnicas aprendidas e cinquentão mais dado a masturbações por mor das muitas dores nas costas e nos joelhos intensificadas pelo preconceito tão humano de que a partir dali se é velho. E nem um pêlo despontava em qualquer das peles e as unhas todas eram naturalmente envernizadas como se fora um puro sangue entregue aos cuidados de uma coudelaria.

Dava para anos de puro prazer de pesquisa. A chatice era o papel selado. E os formulários.

Tanta pele para ombros, braços, torsos e nádegas, pernas e pés e mãos e só uma para o órgão da procriação com os anexos devidos. Com acesso codificado e não informatizado,ó inferno!... Era necessário preencher à mão e em letra legível inúmeros formulários para ter acesso àquele pénis em tudo tão igual aos demais, mais largo na base e mais estreito na ponta. Ora se o meu interesse é mesmo a pesquisa tive de mandar a burocracia às malvas.

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