Síndroma de Gabriela



O Jorge Amado não tem culpa nenhuma mas palavra que parece que tenho um íman que só atrai homens com síndroma de Gabriela que nasceram assim, sempre foram assim e vão ser sempre assim, Senhor Doutor.

O último alegava que tinha nascido com um umbigo tal que os outros só tinham de lhe desculpar todas as desatenções e desamor que ele tinha para com as todas as pessoas porque, imagine,  nunca estivera acostumado de outra forma como se a sua condição de bebé chorão fosse eterna e cada pessoa que com ele se cruzasse fosse obrigada a ser a reencarnação da sua querida mãezinha. Lembrou-me logo um outro que assumia padecer de desamor congénito pelos outros e de modo muito cristão afastava-se de toda a gente, mesmo contra a vontade dos envolvidos, para a seu ver não magoar ninguém.

É que isto é mais simples que a clara do ovo e a Gabriela do Jorge Amado porque eu não quero mudar ninguém quanto mais não seja pelo senso comum básico de que ninguém muda outra pessoa mas apenas esta por si própria, mas Senhor Doutor eu quero que os umbiguistas vão todos para o raio que os parta enquanto eu levanto ambos os dedos médios das minhas mãos.


[Imagem: René Magritte, Le viol , 1934, óleo sobre tela]

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