Da dona


Ela casou com um animal de estimação e amestrara-o a cumprir diligentemente todos os requisitos que aprendera em casa de seus pais. Ele ia buscar o jornal e as compras voltando de língua de fora em busca de uma festinha no lombo arqueado e ali ficava junto dela, sempre alerta para satisfazer a dona. Era o que se podia chamar um animal de companhia.

Há muito que ela abdicara dos malabarismos com o seu corpo, talvez pensando que ele já não tinha idade para brincadeiras. Ele continuava a aninhar-se junto dela na cama acompanhando-lhe a curvatura mesmo sabendo de antemão que ela adormeceria placidamente. Então como se lhe crescesse o instinto de se encostar às árvores ele juntava as coxas ao pijama que cobria as nádegas dela e aí esfregava raivosamente o pénis visualizando a caixa do rabo de cavalo negro e seios roliços do supermercado, sempre com o extremo cuidado de recolher nas mãos as provas líquidas de tal acto.

De manhã, sob o duche quente friccionava de novo o membro sem osso, esgalgando-o bem, embalado na gotas pingando nas poças a seus pés, limpava todos os resquícios desses momentos, sacudia os cabelos que teimavam em lhe crescer na cabeça e ficava pronto para as ordens do novo dia.


Comentários

Mas ela que tenha cuidado pois o que não falta por aí são donas que tudo fariam para ter um exemplar desses em casa e aí é que ela vai ver a falta que esse lhe faz.
maria_arvore disse…
Asdrubal,
nem mais! :) Tu tens que discursar para os cachorros deste país. :)))
fábula disse…
taditos, tão c'os desejos animalescos um pouco desencontrados, só isso... ;)
Mary_of_light disse…
Vale mais um cachorro sensível e dedicado do que um homem das cavernas :)))
maria_arvore disse…
Fábula,
ou desencontram-se porque são de espécies diferentes?... ;)
maria_arvore disse…
Mary_of_light,
Claro!... Dispensam-se os homens das cavernas mas custa-me que alguém abdique de si próprio para servir outra pessoa.

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