O dia da Pré-História


Quando uma mulher puder ser padre, papa ou imã. Ou quando em Portugal uma mulher seja o chefe supremo das forças armadas como Presidente da República ou enquanto vítima de violência doméstica não tenha de ser ela a ir esconder-se e enclausurar-se numa casa de abrigo, eu prometo deixar de comemorar o dia da Mulher.

O joelho de Aquiles


Joelho


Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento


Maria Teresa Horta, Só de Amor, Lisboa: Quetzal Editores, 1999


[Foto © Paulo César, 2007, framed]

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Na próxima 3ª feira, dia 10, às 18:30, será apresentado Poesia Reunida de Maria Teresa Horta, na Casa Fernando Pessoa

(...)

O Homem do Talho


A páginas tantas, Senhor Doutor, começou a acontecer uma coisa muito estranha. Sempre que ia ao talho, pedisse eu o que pedisse, bifes, costeletas de borrego ou lombo para assar, vinha sempre um brinde a acompanhar. Ele era um chouriço, uma farinheira, uma salsicha e até uma espetada. Esse facto associado ao sorriso fixo e de orelha a orelha do homem do talho levou-me a concluir que o negócio dele era mesmo carne. Não a do talho, mas a minha.

E Senhor Doutor, lá acabámos nós na cama. Quando ele se despiu, ai Senhor Doutor, se eu tivesse tomates tinham-me caído ali mesmo. O pénis dele era enorme, tão grande que só pensei que queria ter ali uma máquina fotográfica para depois poder mostrar às minhas amigas e elas não suporem que eu estava a mentir. Bastava uma daquelas que sai logo o retrato e assim também sabia logo se cabia todo no enquadramento. Mas à falta de máquina lá fui engolindo o meu espanto por aquele coiso que até de diâmetro só me fazia lembrar um vulcão. Será que explodia e lá ia eu ficar soterrada que nem Pompeia?... As perspectivas de fazer este cozido nas furnas afiguravam-se um grande problema e tão maior quanto ele se erguia como a tromba do elefante do Jardim Zoológico para recolher as moedinhas.

Mas sabe, Senhor Doutor, as coisas encaixaram e de tal forma que fomos repetindo às várias horas da manhã como na canção das Doce. E tudo corria bem não fosse a minha vida dar para mais 10 filmes do Manoel de Oliveira e lá veio a maldição de Gomorra e Sodoma. Quando o vulcão explodiu abalou-me as estruturas todas e voltei a lembrar-me das Doce e especialmente da Laura, aquela que só mexia a boca mas não cantava e como ela me vi nas urgências do Santa Maria rodeada de senhoras que aguardavam que os seus lulus perdessem o efeito de vácuo e de inúmeros rostos indefinidos à espera de cuidados básicos que permitissem a saída de garrafas de Carlsberg, de chapéus de chuva desdobráveis, de busca-pólos e até de facas de cabo de madeira redondo. Foi aí que me lembrei da minha avózinha que dizia que o mal estava sempre à espreita e não havia nada pior do que entrar dentro de uma pocilga, escorregar e esparramar a cara toda contra o chão. *






[Imagem gentilmente enviada por JJ]

* Texto originalmente publicado em 03.01.2004

Parabéns à Claire



Aujourd'hui nos sommes ici pour chanter à Madame Claire-Françoise Fressynet un joyeux anniversaire et avec un grand bisou lui donné ce joli gateau.







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O tempo afasta os anjinhos

© Velasquez, cerca de 1647-51, La Venus del espejo

Postal erótico do início do século XX

© Sarah Lucas, 1997, Black and White Bunny #2

Primata com mamas


Até os seus olhos batiam palminhas face a face com a púbis isenta de qualquer pelame como um rabinho de bebé. Mais a mais que era a aplicação prática da sua estética e ele próprio também cumprira com a aparadela a pente um da cabeleira do seu zézinho.

A sua energia quase por estrear trocava-me as voltas em todas as acrobacias que se lembrava de experimentar no chão, na cama, ou de encontro à cómoda aproveitando o espelho de ladecos para visualizar a entrada do seu galifão tal como via nos filmes. E nessa pressa de aplicar todas as receitas do surf carnal de bem cavalgar toda a onda eu rejubilava por não ter perdido o fôlego e bendizia os meus pais que me obrigaram a fazer ginástica desde pequenina.

Nas notas de rodapé de cigarro concordei que o tal aveludado do Monte de Vénus e arredores potenciava o desejo por se sentir mais a carninha sem nada de permeio. Conscientemente omiti que essa minha prática corrente também derivava do facto do espelho não me devolver cabelos brancos no couro cabeludo mas plantá-los como diabretes a fazerem-me caretas ali em pleno campo de batalha.

E primitiva como sou fiquei como qualquer primata a rir-me de olhos postos na morte.

O vento com menta mora ao lado

nos endereços do Ness Xpress e do Erecteu.


[Foto encontrada no Desmodando com aplicações do logótipo do Com menta]

PI do prestígio desportivo


[Imagens gentilmente enviadas por email]

O tamanho conta

Desde há uns anos que utilizo o Photobucket para aqui conseguir prantar imagens maiores mas volta e meia censuram-me uma fotos e ainda não consegui perceber quais as medidas que violo.

Aqui há uns dias atirei para lá com as duas imagens aqui à vossa esquerda e salvo o maior respeito que eu guardo às joaninhas e pelos vistos o censor do site também, não encontro outra razão para a censura na outra imagem despida de joaninhas.



A fotografia censurada mostra um casal num local que se pode supor ser uma casa de banho, numa pose calma como o azul dos azulejos e sem ser perceptível a respectiva genitália. E por isso coloco duas hipóteses à vossa consideração sobre a ideia subjacente ao censor:
a) não exibir um pénis em tamanho que se veja é passível de censura por mor de diminuir o órgão masculino;
b) a distância entre os dois corpos faz prever um pénis de tamanho invejável que é uma visão censurável por mor da inveja.

Espera maridos*


De um marido espera-se tudo. Já o dizia a minha avózinha e até punha as mãos no lume que já a avó dela também o dizia. Espera-se que ele acerte no centro da sanita mas deixe a tampa levantada que é uma tradição oral passada de geração em geração quase como o brandy Constantino. Supõe-se que ressone e progressivamente terminada a função que institui o casamento caia redondo para o lado a roncar. Aguarda-se que mais tarde ou mais cedo seduza outras mulheres com olhares, palavras e actos que por muito que queiramos acreditar no contrário a média estatística apurada de orelha entre histórias de vida das amigas é um valor seguro. Espera-se que depois nos faça ingressar no clube das divorciadas entre vulgares insultos e contas tostão a tostão. De um marido espera-se tudo como se esse destino já viesse inscrito no código genético de cada um de nós e fosse obrigatório como o cartão de cidadão.

Agora quando uma preciosa parte de nós que com tanto esforço e carinho poupámos confiadamente e a entregamos a um banco numa dedicada relação comercial e vai na volta este nos põe os cornos, não aceitamos que seja normal, dahhhhh...



[Foto © Insomnia, 2007]
* Inspirado nesta notícia

A mátria fumadora

[Caricatura de Vasco]

A memória guarda-me Natália como senhora de telúricas paixões e um cigarro na boca ou na mão como adereço principal. E já que o Museu dos Baleeiros inaugurou no passado dia 27 a exposição intitulada “O Desenho na Colecção Privada de Natália Correia” parece-me a altura apropriada para aqui a trazer.


O espírito

Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanentemente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indeme ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

Sonetos Românticos, Lisboa: O Jornal, 1990

[Publicado em simultâneo no Baforadas]

Aquela máquina

está de volta.

Pôr os olhos em Vénus como Galileu



Entre as 18:30 às 22:00 horas de hoje é dia de pôr os olhos em Vénus tal como Galileu o fez há 400 anos, o tal que nos fez saber
que o Sol não gira em volta da Terra.

Esta acção organizada do no âmbito do Ano Internacional de Astronomia integra o programa "E agora eu sou Galileu" que hoje coloca 30 telescópios de Bragança ao Algarve para permitir analisar as diferentes fases de Vénus. Quem quiser ver com lentes de aumentar pode deslocar-se à Orion - Sociedade Científica de Astronomia do Minho, ao Centro Ciência Viva de Bragança, ao Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, ao Observatório Astronómico ou ao Planetário Calouste Gulbenkian em Lisboa.


E a este propósito glosou o PreDatado:
Queria eu ter telescópio
de 20 cm, (não menos)
não precisava axes ou ópio
despia a camisa à Vénus


[Caricatura de Vasco]

Problemas de calças



[Vídeo gentilmente enviado por uma alma caridosa]

Uma águia para um benfiquista

Para o PreDatado

Elevador do Lavra

Porque este elevador, apesar de estar parado agora e pelo menos nos 3 meses seguintes por mor de um prédio em risco de derrocada, comemora 125 anos no próximo dia 19 de Abril

(Foto © J.P. Sousa, 2007, Creep)

Desde que a pila passou a despertar todas as manhãs como um relógio suíço optou pelas mulheres mais velhas para se livrar da camada de rococós necessários para uma miúda fazer uma coisa tão simples como abrir as pernas e deixá-lo ir.

Mais a mais, o tempo ensinou-lhe ainda estudante que as mulheres independentes em matéria financeira não se importavam com a falta de dinheiro nos bolsos desde que não faltasse o afluxo sanguíneo à charrua e pagavam tudo e mais umas botas. E para manter o trabalho de campo bastava fingir agrado em satisfazer o mais pequeno capricho, como uma inenarrável visita a uma loja para escolher uma roupinha.

Lavrando nestes procedimentos conseguiu da sua primeira chefe privilégios no trabalho e muitas farras até com férias pagas mas nada em seu nome pelo que começou a amanhar as amigas da casa com mais de sete anos de casamento e rapidamente aumentou o seu património com muita saliva e crescente técnica de retenção do produto mais tempo na fonte.

Neste efeito bola de neve conheceu e finalmente casou com uma viúva proprietária de um império hoteleiro onde combate o tédio dando aulas de golfe a jovenzinhas de pernas esguias com um capitel de calçõezinhos flutuantes e palas na testa a fazerem sombra no peito que estrebucha no pólo porque cada um é para o que se faz e é isto que ele sabe cultivar.





[Foto © J.P. Sousa, 2007, Creep]

* Texto originalmente publicado em 06-06-2007

Sindicato das putas

Se fosse criado um sindicato das putas poderia o mesmo ser acusado de contactos privilegiados?

V Apdeites

Estou aqui a tentar ligar para o JPG para lhe dar os parabéns pelo 5º aniversário do Apdeites V2 mas ele não atende. Sempre à cata das novidades de comunicação deve estar arredado dos meios tradicionais e certamente se encontra pelo FaceBook ou pelo Twitter.

Vou-lhe deixar aqui o bolinho numa embalagem adequada.





[Imagens criadas em PhotoFunia e MakeSweet]

Quem me dera ser chávena

deste pires que hoje completa 42 anos.


[Fotos: © Central Models ; © Inês R. Oliveira, 2007, Paulo e Astrid]