Hipatia hip hip hurra!


Ai Hipatia, carago!... Tu chega-te aqui à minha beira para te dar uma grande beijoca de parabéns e veres com os teus próprios olhos que o Joshinho veio de propósito para a tua festa e até te trouxe um bolinho e champanhe.

E como filigrana já és tu na terra dela e a danada da crise ainda não te deixou trocar de carro oferecemos-te um modelo personalizado.










[Foto © Jamie McCarthy/Wirelmage, 11 de Julho de 2008; viatura patrocinada por PhotoFunia]

Cúmulos

(Ao mfc )


A minha mãe disse-me que o cúmulo da força é dobrar uma esquina e já foi apertar a nota do Santo António até ele deitar a língua de fora. Coisas do tempo dela que não lembra a ninguém colocar santos nas notas.

Deviam ser uns tempos muitos estranhos que ela também me contou que se usavam as cabines telefónicas no meio da rua para falar com os namorados que é uma coisa que só os ucranianos e os brasileiros usam hoje para falar para os seus países e nem entendo como era possível não terem um telemóvel para isso e para trocarem fotografias. E o cúmulo é que entre namorados se davam ao trabalho de encher páginas e páginas de papel de carta, escritas à mão com caneta e sem fazer uma abreviatura que fosse que é uma coisa que só se faz nos testes de escola.

Nasci em 1994 e todos os meus colegas fazem depilação do peito, dos sovacos, da zona da pila e os que querem seguir uma carreira como modelos e na televisão até tiram os pêlos das pernas que assim lisinhos e macios é que são apetecíveis tanto que até já disse à minha mãe que não sei como elas aguentavam namorar com macacos.



Mama mia Ruth

Ruth Marlene, a diva cujo nome rima com o saudoso terylene e com uma moderna pene, já está em estúdio e no próximo mês de Abril dará à luz um novo disco cujo título ainda está no segredo dos deuses da sua editora.

Recorde-se que a sua ascensão ao estrelato no final da década de 90 do século passado se construiu com álbuns de títulos pungentes e incisivos como Só à Estalada, Cola-cola, Quanto mais melhor, Sexy, Show de Bola e Rebelde. Depois do grandioso êxito que foi "A Moda do Pisca Pisca" seguiram-se outros sucessos tão diversificados na temática como "Truka Truka", "Mexe, mexe que eu gosto", "Queres é festa" , "Encosta que é bom", "Anda rebolar comigo", "Dorme cá hoje" ou ainda "Apaga a Luz, Amor", "Coisinha sexy" e "Hey bad boy".

Como a cantora Ruth Marlene completou 31 anos no passado dia 19, acreditamos nas fontes geralmente bem informadas que nos garantiram que o seu próximo trabalho terá o título de Pimba 31.



[foto da FHM de Agosto de 2008 encontrada aqui]

Árvore e poesia duma cabazada



















Árvore, cujo pomo, belo e brando,

natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;

nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vão, o teu injúria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que está teu fruito debuxando.

Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,

se não te celebrar como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.

Luís Vaz de Camões


[Imagens criadas aqui a partir de gentis envios de IR]

Garfanho, guardador de primaveras


Junta hoje mais uma flor ao seu mimoso raminho o Garfanho e quem assim nasce com a primavera, as flores, as árvores e a poesia não anda de pantufas pela vida e é uma força da natureza e do diálogo.

E para dar os parabéns ao Garfanho em jeito e maneira aqui está um bolo com uma magnífica princesa de contos de fadas incorporada que, salvo melhor opinião, lhe está a perguntar se não lhe espalha o creme.



[Imagem g@m@d@ algures]

O Zigurate *



Conheci o energúmeno no lugar inevitável para o encontrar: o bar da faculdade. Vinha acompanhado do inseparável Cândido, alguém que espelhava o seu empenho e dedicação à Associação de Estudantes no atendimento diário ao balcão do bar, apenas a troco de um ordenado certo no final de cada mês. Faziam a ronda diária pelo novo gado que apinhava as mesas do bar.

E o gado, Senhor Doutor, eram as novas alunas da faculdade. Mas continuando, Senhor Doutor, eles circulavam pela frente de todas as mesas observando ostensivamente todos os parapeitos femininos. Acercou-se de mim, obviamente novata e pediu, gentilmente, se eu puxava o casaco mais para os lados para ver a camisola que era tão gira. A camisola tinha bonequitos de ar azteca e eu parva acedi recebendo como prenda a frase Ganda par de mamas! e a sua partida para a próxima mesa.

Foi assim que conheci o Professor Zigurate, como era chamado por via da cadeira de civilizações pré-clássicas que leccionava, aquele caldeirão de culturas que incluía desde o dilúvio do Gilgamesh ao arquitecto egípcio Manefta. E a sua primeira aula foi esclarecedora das suas intenções a condizer com o descapotável vermelho que estacionava à porta da faculdade sem conseguir fazer ondular todos os cabelos ao vento já que ele próprio era descapotável.

Distribuiu um questionário a todas as alunas, também ele revelador do estranho facto de nenhum aluno macho se ter inscrito na turma dele. Para além dos habituais nomes e idade seguiam-se as perguntas se era virgem, se tomava a pílula, se apreciava felatio e cunnilingus, bem como a prática de coito anal. Depois, eram páginas e páginas com as ilustrações do Kama Sutra para assinalar as posições preferidas no quadradinho disponível para o efeito. E a rematar um espaço para indicarmos dias e horários disponíveis para aulas práticas.

Oh Senhor Doutor aquilo era um dilema existencial: fazer ou não fazer a cadeira? E a fazê-la, seria de forma erecta ou horizontalmente sapiens?


[ Foto © Schumata, Mercury(fresco de Pompeia), 2006]

* Texto originalmente publicado em 07.01.2004

Desembaraço já!


A minha avozinha sempre me aconselhou a ser desembaraçada e foi o que fui fazendo em cada dia, tanto que quando não tenho solução para um problema desembaraço-me dele porque não é meu que o que não tem remédio, remediado está.

E nesta ligeireza respondo à corrente da Hipatia, mesmo que os valores inscritos no medalhão que também a ela cravaram não sejam os meus que baladas só mesmo as do Manuel João Vieira como As Minhas Coisas Favoritas ou o inesquecível Quero foder contigo. Também vos digo que entendo que amor é amor e sexo é sexo e como é uma gaita nem sempre coincidirem na mesma pessoa assumo que sou prática e fico com dois, que como dizia o meu paizinho não nascemos para ser infelizes. E se eventualmente me dá a travadinha de armar-me em super-mulher para os amantes, a família e o trabalho, acendo um cigarro e recosto-me que perfeita só a matemática e se até gosto de fazer contas de cabeça bem podeis constatar pela composição da imagem (junto ao pé esquerdo) que nunca alinho tudo direito.

Nada me move contra a expressão «bem resolvida» , muito usada no Brasil e até com direito a um site onde se encontram coisas tão interessantes nas temáticas fashion, beauty e style, com considerações essenciais sobre celebridades e dicas fundamentais sobre cabelos, óculos, maquilhagem, unhas, perfumes, sapatos e roupa interior que a autora não tem culpa nenhuma de eu não ligar pevide a essas matérias. Tenho apenas a pequena impressão de que na prática a expressão veicula uma imagem feminina do agrado masculino, que sofre tudo de cara alegre e sobretudo, não protesta, alicerçada na antiga crença de que se uma mulher suporta as dores de parto, aguenta tudo.

Finalmente, nomeio dez mulheres desenvoltas para escolherem desenvencilharem-se deste desafio postando ou não:
1-Fabulosa, do Voz em Fuga
2-Fatyly, do Uma Nova Cubata
3-Fausta Paixão, do Não compreendo os homens
4-Gotinha, do BLOGotinha
5-Madalena, do Aliciante
6-Mushu, do Ao Sabor do Vento
7-Silence, do Word's I'll never tell you
8-Tita, do Pensamentos a Metro
9-vague, do la marée haute
10-vanus, do Vanus

O tempo dos pensadores

© Rodin, O Pensador


Foto © Anónimo, cerca de 1930


Foto © J. P. Sousa, 2008, Shy


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Foto © J. P. Sousa, 2007, Helpless

Chérie


Eu sou uma gaja boa. Uma chérie. Todos me dizem que sou uma querida e portanto sou. No mínimo é o que me dizem os que interessam e esses é que contam. E quase me liquefaço todinha nesse prazer de ter legiões de seguidores a quem fiz pequenos favorzinhos e que em troca me devolvem uma admiração desmedida que só não me lambem os pés em público porque eu só retiro os saltos altos para tomar banho. Qualquer boutade que me saia da boca vai ecoando por eles fora como o fogo pelas matas nacionais e eu deleito-me por criar moda para tal vassalagem.

Que é garantido que sou uma mulher honrada e de um só homem como publicamente se sabe e faço sempre questão de assinalar nas datas para isso convencionadas. Ele é o meu quidinho, o mon petit lapin que claro que sim que tem um blogue que caso contrário cairia muito mal na minha ficha biográfica webiana e ninguém precisa de saber que quase o obriguei a isso e que o conheci lá fora no mundo exterior e me fixei nele por ser um magnífico exemplar de jovem loiro e alto com os glúteos rijinhos e muita energia para me revolver as entranhas e fornecer o orgasmo que me falta nos adeptos.

Mas apesar do meu simples e cómodo quiducho não perco a carruagem do prestígio e já o levei primeiro para o Hi5, depois Orkut e Second Life e ultimamente para o Twitter e o FaceBook, que tenho pavor de estar sozinha e sem ninguém para me admirar. E nem tenho dúvidas de que se devia criar um novo canal de comunicação embora desta vez exclusivo para casais modernos, saudáveis e de sucesso como nós porque nestas coisas a páginas tantas aparece lá tudo e é uma chatice e uma trabalheira para nos distinguirmos e elevarmos acima dos outros.


[Foto © Roberto Santorini, 2009, Collezioni Primavera Estate 2009 ]

PI da intimidade feminina




[ Imagens gentilmente enviadas por JA, JS, Xico L.F. e © Luís Olival, 2008]

Rabanada

Rabanada é uma rajada de vento ou um doce de pão frito também conhecido como fatia parida ou fatia dourada. Mas abanando bem a palavra creio que ainda descobrimos umas nádegas dançantes.



Mamoca nacional contra a crise


A custar pouco mais que um maço tabaco, menos cinco cêntimos que 4 euros, vai estar nas bancas já na sexta-feira dia 27 a edição portuguesa da Playboy com exclusivos de mamocas portuguesas e femininos traseiros nacionais.

Numa altura em que a crise faz os portugueses andarem de bolsos vazios esta revista vem combater a crise sugerindo que se tire as mãos dos bolsos e se combata activamente a depressão. As televisões insistem nas reportagens sobre o stress e o desemprego como factores de diminuição da libido dos portugueses e do aumento do cansaço e desmotivação para qualquer exercício físico mas a Playboy portuguesa ao investir na ginástica das vistas vem contrariar o clima de crise e contribuir decisivamente para o treino das mãos e dos dedos para potenciar a alegria nacional.

Nesta ocasião, como aqui há atrasado aconteceu com a FHM ou a Maxmen, só se lamenta que nenhuma editora lance uma Playgirl nacional com esbeltos playmates portugueses aproveitando o nicho de mercado constituído por mais de 50% da população portuguesa.


[Foto: Ricardo Claudino- almadense, 1,85 de altura, 80 de cintura, camisa 38, casaco 50, perna 83, sapatos 42, olhos esverdeados e cabelos castanhos- para a colecção de lingerie de Miguel Vieira]

PI da crise da libido





[Imagens gentilmente enviadas por Fabulosa, goulart anarquista e Xico L.F.]

Para o peixinho Erecteu


uma peixinha para festejar o aniversário com mil beijinhos.
















[Desculpa-me a hora tardia da lembrança]

Dança embottada

Porque António Botto partiu há 50 anos .

Balofas carnes de
balofas tetas
caem aos montões
em duas mamas pretas
chocalhos velhos a
bater na pança
e a puta dança.

Flácidas bimbas sem
expressão nem graça
restos mortais de uma
cusada escassa
a quem do cu só lhe
ficou cagança
e a puta dança.

A ver se caça com
disfarce um chato
coça na cona e vai
rompendo o fato
até que o chato
de morder se cansa
e a puta dança.

Os calos velhos com
sapatos novos
fazem-na andar como
quem pisa ovos
pisando o par de cada
vez que avança
e a puta dança.

Julga-se virgem de
compridas tranças
mas se um cabrito
de cornadas mansas
abre a carteira e
generoso acode
a puta fode.

Inédito de António Botto, cedido por Francisco Esteves para Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica , Lisboa: Antígona/Frenesi, 2000

[Imagem gentilmente enviada por Paulo Vinhal]

E várias vozes se desembotaram ao desafio:

sagher
dança puta dança
nunca pares de dançar
e em face de grande lança
ajoelha-te a orar


OrCa
uma voz num cesto
de entrançado vime
e por mais que rime
e por mais que incesto
vejam lá que ri-me
de tão fino estro...


Erecteu
Porra Maria
ind'há quem
dedenhe poesia,
vê lá bem!

Maria Árvore
A mordacidade do Botto
fez logo em poesia três saltar
que não cai em saco roto
que agradeço e vou já postar

Pizza Nostra




[Vídeo gentilmente enviado por Xico L.F.]

O informático


Sabe, Senhor Doutor, que a páginas tantas conheci um homem das informáticas, daqueles que vestem sempre calças de ganga e camisolas práticas como emblema da profissão e deixam crescer a barba para poderem dedicar mais tempo aos seus computadorezinhos.

Era uma simpatia de pessoa. Até me chamava carinhosamente o seu portátilzinho, enfatizando a diferença do seu metro e noventa para o meu metro e meio. E que não haja dúvidas, eu era mesmo portátil ao seu colo. Sempre que precisava de lhe falar bastava enviar-lhe uma sms a dizer F1 para me responder à chamada que eu calorosamente atendia com a frase «Helpdick, please».Viajámos imenso juntos, pelo Museu do Louvre, lugares paradisíacos do Brasil e assistimos a imensas apresentações de filmes, comodamente sentados frente ao ecrã flat de 19 polegadas do seu computador.

E depois, Senhor Doutor, o homem era danado para jogar, digamos que de forma proporcional ao tamanho do seu joystick. Sempre que terminava o jogo até dizia «Acho que o sistema crashou. Segundo a minha intuição profissional, o melhor é sair e voltar a entrar». E tudo decorria funcionalmente até descobrir que o homem não podia ver uma drive que não metesse logo a disquete* . O homem era multitasking. Sentei-me ao computador para ouvir «Banapple Gas» do Cat Stevens esperando que o gás me intoxicasse ou que o Corão me iluminasse.





[Imagem gentilmente enviada por Xico L.F.]
* Texto originalmente publicado em 5.01.2004, ano em que ainda era comum o uso de disquetes e que hoje facilmente se pode traduzir por pen

Falta de ram


Intriga-me que nunca se lembre do meu aniversário. Convenço-me que tanta falta de ram só pode sinalizar um modelo ultrapassado. Está na altura de mudar este disco duro por uma pen à medida.


[Imagem gentilmente enviada por Xico L.F.]

Disseram-te um dia Rita

que amanhã terás 27 anos.

Foto © Luís Azevedo, 2008, 034

Foto © Roberto Santorini, 2008, Rita Pereira

Lacuna


Mais que borboletas na barriga era um frenesi que me percorria toda como se o desejo substituísse a corrente sanguínea de cada vez que arranjávamos tempo para desentorpecer os músculos. Tão espontâneo e natural como adormecer atracava ambas as mãos no seu pescoço não fosse falhar o afogamento mútuo de línguas na boca e quando a sua mão se fincava no meu pescoço arrepiavam-se-me todos os pelinhos como a uma gata ronronante. Rapidamente passava ao furor de lhe percorrer cada bocadinho de pele em beijos húmidos, do pescoço ao umbigo para depois deslizar em linha recta espreitando-lhe os olhos de baixo para cima antes de lhe tragar o tortulho acabadinho de despontar.

Dessa vez quando em acto contínuo ele passou a espanejar as minhas zonas húmidas temi que a força das ondas lhe atingisse o nariz como o mexilhão bate na rocha de acordo com a crescente cheia que sentia mas com toda a calma ele acabou por se estender por cima de mim a alimentar-me com um beijo rechonchudo enquanto lançava âncora por dentro de mim. Abri espaço cruzando as pernas por cima do seu sacro naquela mornidão sacolejante como um comboio nas linhas e às tantas soou um pfffffff oriundo do orifício não ocupado.

Parámos momentaneamente para rir da falha humana que facilita tal descontracção do corpo e prosseguimos a viagem trocando de lugares para evitar a monotonia.


[Imagem gentilmente enviada por email]

PI dos machos repetitivos



[Banda desenhada gentilmente enviada por Xico L.F.]

Dar uma para as Caldas

Rafael Bordalo Pinheiro fundou uma fábrica de cerâmica artística nas Caldas da Rainha, em 1884, que agora está aflitinha para continuar em pé.

E para como o Zé Povinho fazer um Toma! a esta situação 8 nomes da praça* lançaram uma petição on line para apelar a uma intervenção do Estado de modo a salvaguardar o espólio do artista (moldes, desenhos e peças originais) e a manutenção da fábrica com uma nova estratégia de afirmação da marca Bordalo Pinheiro.

Não quer dar uma para a Caldas?...

Adenda das 20:18: É que até quem queira dar um Museu.


*a professora de História da Arte Raquel Henriques da Silva, a artista plástica Joana Vasconcelos, a coordenadora do Atelier Artístico da Fábrica Bordalo Pinheiro Elsa Rebelo, o designer Henrique Cayatte, a directora do Museu do Design e da Moda Bárbara Coutinho, a empresária Catarina Portas, a curadora independente Lúcia Marques e a advogada Carmo Afonso.

Relações de vizinhança


Saí do carro e dei com o rabo dela espetado em manobras para sacar as compras da mala do carro. Avancei decidido e disse-lhe ó vizinha deixe-me ajudá-la a transportar esses sacos que esse seu cu tão bem benfeitinho inspira-me esta boa acção e porque nunca se sabe se hoje é o meu dia de sorte e em troca dela não me dá mais qualquer coisinha que é o mesmo que dizer uns minutos de sexo puro e duro.

Ela empertiga-se a mostrar-me como ainda tem as mamas no sítio e responde-me que de bom grado aceita a ajuda porque para carregar nunca as mãos são de mais embora ainda não saiba se me quer pagar em favores sexuais porque apesar de já me ter galado de alto a baixo e considerado que o rabo não era nada de se deitar fora não sabe se hoje está para aí virada.

Pego nuns quantos avios que a esperança é a última a morrer e enquanto caminhamos para a porta do prédio asseguro-lhe que tenho quinze centímetros de pénis o que no nosso país é uma medida muito aceitável e desafio-a a constatá-lo pelas suas próprias mãos depois de pousar os sacos que bastarão umas esfregadelas mesmo por cima das calças para rapidamente ficar com o tamanho publicitado.

Ela ri-se abertamente e pousa os sacos na entrada com as mãos a escorrer-lhe pelas ancas para me confessar que se sente lisonjeada por ser objecto de desejo que é uma coisa que também lhe levanta o ego num instantinho mas que sem saber se também sou assim dotado de língua não se consegue decidir e termina a frase espetando um dedo na boca numa sucção rápida antes de meter as chaves a porta.

Apresso-me a passar com os meus sacos para chamar o elevador e exibir-lhe a minha língua de fora e os seus vários requebros à volta dos meus lábios como garantia da qualidade do serviço que ela vê sorridente sem mostrar os dentes e aproximando-se de mim chega-me uma palma de mão ao ombro e declara que temos pena mas vai ter de ficar para um outro dia em que não esteja com o período.


[Produção © Tom Ford, 2008, encontrada em Ethan Says]

Parisiense, 45 anos

[ Foto © Mike Flokis/Getty Images, 16 de Fevereiro de 2009, Juliette Binoche no lançamento do seu livro de pintura Portraits - In Eyes em Sidney (Austrália) ]

Juliette Binoche para Playboy (francesa) de Novembro de 2007

O dia da Pré-História


Quando uma mulher puder ser padre, papa ou imã. Ou quando em Portugal uma mulher seja o chefe supremo das forças armadas como Presidente da República ou enquanto vítima de violência doméstica não tenha de ser ela a ir esconder-se e enclausurar-se numa casa de abrigo, eu prometo deixar de comemorar o dia da Mulher.

O joelho de Aquiles


Joelho


Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento


Maria Teresa Horta, Só de Amor, Lisboa: Quetzal Editores, 1999


[Foto © Paulo César, 2007, framed]

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Na próxima 3ª feira, dia 10, às 18:30, será apresentado Poesia Reunida de Maria Teresa Horta, na Casa Fernando Pessoa

(...)

O Homem do Talho


A páginas tantas, Senhor Doutor, começou a acontecer uma coisa muito estranha. Sempre que ia ao talho, pedisse eu o que pedisse, bifes, costeletas de borrego ou lombo para assar, vinha sempre um brinde a acompanhar. Ele era um chouriço, uma farinheira, uma salsicha e até uma espetada. Esse facto associado ao sorriso fixo e de orelha a orelha do homem do talho levou-me a concluir que o negócio dele era mesmo carne. Não a do talho, mas a minha.

E Senhor Doutor, lá acabámos nós na cama. Quando ele se despiu, ai Senhor Doutor, se eu tivesse tomates tinham-me caído ali mesmo. O pénis dele era enorme, tão grande que só pensei que queria ter ali uma máquina fotográfica para depois poder mostrar às minhas amigas e elas não suporem que eu estava a mentir. Bastava uma daquelas que sai logo o retrato e assim também sabia logo se cabia todo no enquadramento. Mas à falta de máquina lá fui engolindo o meu espanto por aquele coiso que até de diâmetro só me fazia lembrar um vulcão. Será que explodia e lá ia eu ficar soterrada que nem Pompeia?... As perspectivas de fazer este cozido nas furnas afiguravam-se um grande problema e tão maior quanto ele se erguia como a tromba do elefante do Jardim Zoológico para recolher as moedinhas.

Mas sabe, Senhor Doutor, as coisas encaixaram e de tal forma que fomos repetindo às várias horas da manhã como na canção das Doce. E tudo corria bem não fosse a minha vida dar para mais 10 filmes do Manoel de Oliveira e lá veio a maldição de Gomorra e Sodoma. Quando o vulcão explodiu abalou-me as estruturas todas e voltei a lembrar-me das Doce e especialmente da Laura, aquela que só mexia a boca mas não cantava e como ela me vi nas urgências do Santa Maria rodeada de senhoras que aguardavam que os seus lulus perdessem o efeito de vácuo e de inúmeros rostos indefinidos à espera de cuidados básicos que permitissem a saída de garrafas de Carlsberg, de chapéus de chuva desdobráveis, de busca-pólos e até de facas de cabo de madeira redondo. Foi aí que me lembrei da minha avózinha que dizia que o mal estava sempre à espreita e não havia nada pior do que entrar dentro de uma pocilga, escorregar e esparramar a cara toda contra o chão. *






[Imagem gentilmente enviada por JJ]

* Texto originalmente publicado em 03.01.2004

Parabéns à Claire



Aujourd'hui nos sommes ici pour chanter à Madame Claire-Françoise Fressynet un joyeux anniversaire et avec un grand bisou lui donné ce joli gateau.







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O tempo afasta os anjinhos

© Velasquez, cerca de 1647-51, La Venus del espejo

Postal erótico do início do século XX

© Sarah Lucas, 1997, Black and White Bunny #2

Primata com mamas


Até os seus olhos batiam palminhas face a face com a púbis isenta de qualquer pelame como um rabinho de bebé. Mais a mais que era a aplicação prática da sua estética e ele próprio também cumprira com a aparadela a pente um da cabeleira do seu zézinho.

A sua energia quase por estrear trocava-me as voltas em todas as acrobacias que se lembrava de experimentar no chão, na cama, ou de encontro à cómoda aproveitando o espelho de ladecos para visualizar a entrada do seu galifão tal como via nos filmes. E nessa pressa de aplicar todas as receitas do surf carnal de bem cavalgar toda a onda eu rejubilava por não ter perdido o fôlego e bendizia os meus pais que me obrigaram a fazer ginástica desde pequenina.

Nas notas de rodapé de cigarro concordei que o tal aveludado do Monte de Vénus e arredores potenciava o desejo por se sentir mais a carninha sem nada de permeio. Conscientemente omiti que essa minha prática corrente também derivava do facto do espelho não me devolver cabelos brancos no couro cabeludo mas plantá-los como diabretes a fazerem-me caretas ali em pleno campo de batalha.

E primitiva como sou fiquei como qualquer primata a rir-me de olhos postos na morte.

O vento com menta mora ao lado

nos endereços do Ness Xpress e do Erecteu.


[Foto encontrada no Desmodando com aplicações do logótipo do Com menta]

PI do prestígio desportivo


[Imagens gentilmente enviadas por email]

O tamanho conta

Desde há uns anos que utilizo o Photobucket para aqui conseguir prantar imagens maiores mas volta e meia censuram-me uma fotos e ainda não consegui perceber quais as medidas que violo.

Aqui há uns dias atirei para lá com as duas imagens aqui à vossa esquerda e salvo o maior respeito que eu guardo às joaninhas e pelos vistos o censor do site também, não encontro outra razão para a censura na outra imagem despida de joaninhas.



A fotografia censurada mostra um casal num local que se pode supor ser uma casa de banho, numa pose calma como o azul dos azulejos e sem ser perceptível a respectiva genitália. E por isso coloco duas hipóteses à vossa consideração sobre a ideia subjacente ao censor:
a) não exibir um pénis em tamanho que se veja é passível de censura por mor de diminuir o órgão masculino;
b) a distância entre os dois corpos faz prever um pénis de tamanho invejável que é uma visão censurável por mor da inveja.

Espera maridos*


De um marido espera-se tudo. Já o dizia a minha avózinha e até punha as mãos no lume que já a avó dela também o dizia. Espera-se que ele acerte no centro da sanita mas deixe a tampa levantada que é uma tradição oral passada de geração em geração quase como o brandy Constantino. Supõe-se que ressone e progressivamente terminada a função que institui o casamento caia redondo para o lado a roncar. Aguarda-se que mais tarde ou mais cedo seduza outras mulheres com olhares, palavras e actos que por muito que queiramos acreditar no contrário a média estatística apurada de orelha entre histórias de vida das amigas é um valor seguro. Espera-se que depois nos faça ingressar no clube das divorciadas entre vulgares insultos e contas tostão a tostão. De um marido espera-se tudo como se esse destino já viesse inscrito no código genético de cada um de nós e fosse obrigatório como o cartão de cidadão.

Agora quando uma preciosa parte de nós que com tanto esforço e carinho poupámos confiadamente e a entregamos a um banco numa dedicada relação comercial e vai na volta este nos põe os cornos, não aceitamos que seja normal, dahhhhh...



[Foto © Insomnia, 2007]
* Inspirado nesta notícia

A mátria fumadora

[Caricatura de Vasco]

A memória guarda-me Natália como senhora de telúricas paixões e um cigarro na boca ou na mão como adereço principal. E já que o Museu dos Baleeiros inaugurou no passado dia 27 a exposição intitulada “O Desenho na Colecção Privada de Natália Correia” parece-me a altura apropriada para aqui a trazer.


O espírito

Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanentemente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indeme ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

Sonetos Românticos, Lisboa: O Jornal, 1990

[Publicado em simultâneo no Baforadas]

Aquela máquina

está de volta.