I'm a sailor!


Estava eu entretidíssima na minha gestão de objectivos a preparar as conversas de segunda feira com o visionamento dos briosos jogos desta jornada tuga que para o corte e costura basta improvisar no momento um vinco na roupa de quem vá a passar que rola logo a maledicência como bola de neve até se chegar à pontinha da unha esfacelada quando dei conta que a Naná , do Hello Sailor, me atribuiu o seu prémio semanal cujo selo é a imagem deste post.

Ia caindo de quatro o que é sabido é propício a esfoladelas nos joelhos e tanto mais que percebi ser a primeira possuidora de tal distinção pelo que só posso agradecer ternamente à Naná que além de ser boa rapariga escreve bem que se desunha.

E com vossa licença quero ainda nesta hora deixar o meu obrigada ao meu pai e à minha mãe e particularmente, à Aspirina e ao Melhoral, pela participação activa que nove meses antes do dia do meu nascimento, mais coisa menos coisa, permitiram que hoje este momento fosse possível.

Amor ad libitum

AMOR

Amor, amor, amor, como não amam
os que de amor o amor de amar não sabem
como não amam se de amor não pensam
os que amar o amor de amar não gozam.
Amor, amor, nenhum amor, nenhum
em vez do sempre amar que o gesto prende
o olhar ao corpo que perpassa amante

e não será de amor se outro não for
que novamente passe como amor que é novo.
Não se ama o que se tem nem se deseja

o que não temos nesse amor que amamos
mas só amamos quando amamos no acto
em que de amor o amor de amar se cumpre.
Amor, amor, nem antes, nem depois,

amor que não possui, amor que não se dá,
amor que dura apenas sem palavras tudo

o que no sexo é o sexo só por si amado.
Amor de amor de amar de amor tranquilamente

o oleoso repetir das carnes que se roçam

até ao instante em que paradas tremem
de ansioso terminar o amor que recomeça.

Amor, amor, amor, como não amam
os que de amar o amor de amar não amam.

Jorge de Sena, in Peregrinatio ad loca infecta, Portugália, Lisboa, 1969 (poema de 1965)

Teletrabalho para que te quero



[vídeo gentilmente enviado por Xico L.F.]

O meu momento com João Espinho

(com um enorme obrigada ao João Espinho pelo convite)


Os telhados abrigam-nos das intempéries. Transmitem-nos a segurança de que o céu não nos vai cair em cima da cabeça, como o temiam os gauleses. E porém, é nos momentos em que abandonamos a protecção do telhado e saímos para a rua indefesos perante qualquer condição climática que descobrimos o esplendor do arco-íris. Até guardamos mais vivos na memória esses momentos únicos e mágicos. Tal como acontece com os que a objectiva do João Espinho fixa.

PI do 1º de Maio

A crise

e o prazer do trabalho

Pulsão trabalhadora*


Às quatro e meia da tarde posicionava-me virada para janela, refastelada para dar de beber aos olhos. Era quando os quatro moçoilos bem apessoados desciam presos numas cordas que lhes realçavam os apetrechos nos calçonitos. Todos tinham cabelos a dourarem-lhes as pernas, à excepção de um que em vez de ucraniano talvez fosse romeno.

E naquele dia pensei que não era tarde nem cedo para um encontro de culturas e precipitei-me para fora do prédio, a aguardá-los na sua chegada ao solo. Naquelas camisolas de cavas qualquer um deles exibia músculos sem as deformações do culturismo e, assim à vista desarmada, nenhum tinha tatuagens de amor de mãe nem daquelas de arabescos coloridos.

Aprovados que estavam, acendi um cigarro e encarei-os num sorriso que se abatia por eles como as suas esponjas nas vidraças. Cochicharam entre eles e lá houve um que se decidiu a caminhar até mim, pedindo um cigarro com uma pronúncia que não escamoteava as origens. Retirei o maço da mala e estendi-lho de forma a roçar-lhe os dedos, aguardando o contacto directo dos seus olhos para acto contínuo eu pestanejar rapidamente e aflorar os lábios com a ponta de um dedo. O gajo podia não falar a língua de Camões nem tampouco a de Lobo Antunes mas também a única gramática que pretendia da sua língua e das suas fibras compreendia regras bastantes simiescas para dispensar qualquer outra coerência.


(Foto © Paulo Madeira, 2006, Hora de almoço)
* Texto originalmente publicado em 03.07.2006

O 69 do Alfredo


No passado sábado comemorámos em Portugal o 25 de Abril de 1974 e a queda da ditadura. Em Itália, comemorou-se o 25 de Abril de 1945 e a sua Libertação da II Guerra Mundial. Já o Alfredo James Pacino, conhecido como Al Pacino, comemorou nesse mesmo dia o seu primeiro 69 cronológico.




[Foto © Venturelli/WireImage, Outubro de 2008]

PI do triunfo dos porcos

É quando a pandemia do desemprego é ultrapassada pela pandemia dos porcos.


[Imagens de Yatahonga e gentilmente enviadas por V.F.]

Posicionamento estratégico


É da sabedoria tradicional que gajo que é gajo nunca pergunta o caminho nem que tenha de dar vinte voltas ao quarteirão ou gastar quilómetros e quilómetros até dar com a coisa que parece que o genoma masculino vem com a vergonha de dar à língua programada.

É também por isso que salvo aquelas horas em que vão curar os achaques nervosos a gastar gasolina sem destino, os homens circulam de automóvel na maioria das vezes com co-pilota, preferencialmente de saias que distracção de pernas ainda não é punível pelo Código da Estrada e com a vantagem evidente de ser ela a deslindar os mapas e a baixar o vidrinho do seu lado para inquirir transeuntes em caso de necessidade.

E em mais este caso de exploração da mulher tenho de lembrar a preciosa colaboração que as empresas fabricantes de GPS deram na orientação dos homens desde que passaram a disponibilizar estes equipamentos em diversos modelos e tamanhos de ecrã , libertando assim a mulher para actividades que considere mais produtivas. Tenho ainda de salientar o rigor que algumas delas colocaram na produção destes sistemas, nomeadamente para evitar uma potencial rejeição dos mesmos por falta de hábito, quando gravaram todas as indicações numa voz feminina.


[Foto © Alexandre Serra, 2006, Editorial Site AS]

PI dos santos óleos nacionais

Bolos ou foguetes de São Gonçalo

Celestes de Santa Clara

Ganchas de São Brás e Pitas de Santa Luzia

Santo?!... Santo é o senhor, Ricardo Claudino.


[Imagens de belogue; Doces Regionais; Trás-os-Montes, mar de pedras]

PI das mãos tipicamente masculinas

(com legendas da Fatyly)

Foto © Paulo Madeira, 2008, Contactos

Hoje estive na Exponor. Quando cheguei, ia aflitinho e lá fui eu direito ao WC. Na porta estava um cartaz que dizia: "é proibido lavarem os materiais..."
PreDatado - 28/11/2003

Foto © Insomnia, 2006

Todos nós somos uma rosa,
ora murcha... ora viçosa.
Somos onda buliçosa,
Que se eleva na vazante,
ora baixa, ora orgulhosa.
Como ventre abundante,
quando em alcova, garbosa,
se abre ao seu amante.

Todos nós, somos uma rosa
Posta em ramada frondosa
Cada rosa, mais formosa
Cada rosa, mais mimosa
Todos nós, somos flores
Nascidos de muitas dores
Gerados d'eternos amores
Todos nós! Todos nós!
Meus Senhores!!
Bartolomeu – 21/12/2007


Foto © Paulo Madeira, 2006, Into the blue

Quando estou de pau feito... a puta verga.
In A Medicina na voz do Povo – Carlos Barreira da Costa


Foto © rêve d'hommes

Dois alegres tentilhões
Aterraram nos telhões
Do alto do meu telhado

Tenteando atenções
Tentei dar aos tentilhões
Painços do meu cuidado

Nas tintas p’rás intenções
Tenho agora os tentilhões
A tentilhar no telhado.

afundado por São Rosas

Apetece-me algo


Sábado foi dia de ele me levar pelo braço Avenida abaixo como quem mostra a alegria que lhe vai na alma pela liberdade esvoaçante do meu vestido a tocar todos os olhares carentes dela. Entremeava os vivas à liberdade em que fazia coro com lindos brocados de minha linda, de docinha e até do meu nome próprio todo aconchegadinho num diminutivo que me soprava nas orelhinhas.

Suspirava fundo com a excitação de quem revive as memórias, de quando sacava aos cabrões capitalistas as suas filhas queques e boazonas para as levar ao castigo através dos ensinamentos vermelhos da cabecinha do galo de Barcelos ou do que quiserem chamar àquele pescoço de frango.

Arribados à praça lá encontrámos muitos amigos a quem ele distribuiu valentes abraços e aos quais me apresentou como a sua senhorita entre umas canecas de cerveja e uns pires de tremoços ao balcão que as mesas estavam apinhadas até ao momento que estalou uma mão marialva no meu rabo à vista de quem quis ver para me incentivar a um ala moça que está na hora de fazeres o jantar e creio que se me turvou a visão com a loiça suja na bancada da cozinha que ele não metia nunca na máquina e entre uma joelhada certeira no centro da sua grande área que até deu direito a mostrar a bandeira vermelha da minha lingerie bradei-lhe que me apetecia algo como a Revolução.


[Foto © Pedro Moreira, 2007, Red top]
Nota: Cuidado ao fazerem scroll para deslizarem pela imagem para não salpicarem os vossos monitores.

O que é que a crise tem a ver com as cuecas?

Ou de como as aplicações tecnológicas das cuecas podem fazer toda a diferença.

Confraria do Príapo vai dinamizar as Caldas

É já na próxima 3ª feira, dia 28 de Abril, que vai ser puxado o cordelinho da escritura pública da Confraria do Príapo que procura defender, valorizar e promover a cerâmica erótica das Caldas da Rainha, de que o falo é o principal símbolo.

E falo de boca cheia desta iniciativa de um conjunto de comerciantes, ceramistas, académicos e políticos locais não só pelo especial carinho que nutro por estas peças, mas também porque vem levantar de novo a hipótese do Museu do Erotismo, a partir da colecção de Paulo Moura, que é um dos co-fundadores da Confraria e ilustre comentador chez moi.

Até lá podem já visitar o blogue da Confraria ou colher mais informação junto da São Rosas que foi a generosa fonte que me deu a beber a cacha.



[Imagens criteriosamente g@m@das na marca a funda São]

Eu ouvi um espermatozóide às 4 da madrugada

Controlo simplex




[Vídeo gentilmente enviado por Cap]

Absurdia (1) - Contorções*


Era fodido escrever o relato do último jogo do Benfica e depois ter de substituir a palavra vermelho por encarnado já que a primeira cor estava excluída do léxico jornalístico. Em seguida, limava qualquer referência a força ou vigor desse clube e trocava luta por posse de bola não fosse alguém ler nas entrelinhas um combate político que oficialmente não existia impresso em página nenhuma.

Saía da redacção já noite feita para ir emborcar um bife e umas imperiais e certo como um relógio lá estava a farda cinzenta do pançudo na esquina da Diário de Notícias a cobrar os serviços de protecção à Branca de Neve, a puta de sensuais lábios carmim a contrastar na face alva tal e qual a princesa popularizada pela Disney e a quem não faltava nem sequer o cabelo tão negro como azeviche. Até que desejava foder aquela bonequinha que me içava o escroto em cada relance mas não o bastante para não ir adiando o feito para próxima ocasião.

Na Trindade tagarelávamos entre colegas e copos, sem esquecer de pesar bem cada palavra dita como os pratos de gambas que ali se serviam que cara desconhecida de comensal na mesa ao lado se supunha bufo que subira da António Maria Cardoso para ali nos escutar, ocasiões em que repetíamos a senha Ó, Ó, Ó, Ó, Ó, em gargalhadas, para evocar a forma como o Américo Tomaz leria o símbolo dos Jogos Olímpicos.


[Imagem gentilmente enviada por SMPT]

Texto originalmente publicado em 20.04.2007

Uma mulher de luta

é a Telma Monteiro que conseguiu içar a bandeira no mastro.


[Foto © Nick Laham/Getty Images]

Na paz da queca


Há homens de muita paz. Paz, paz, repercutida a palmo nas nossas nádegas enquanto o trem de aterragem lhes desliza pela nossa pista da retaguarda revestido ou não a pneu. E como se costuma dizer, enquanto o pau vai e vem folgam as costas.

Antes uma entrada a frio daquele melro do que ouvi-lo berrar que nunca faço nada do que ele diz, que nunca o ouço e a consequente saraivada de estalos por não lhe obedecer como manda o código dos símios em que ele é o macho dominante. Quando após uma estalada me puxa a camisa até os botões saltarem ou me levanta a blusa e firma ambas as mãos nas minhas mamas é um alívio e nem sequer é por estarem ao léu fora do sutiã com os mamilos a enrijar ao fresquinho. É mesmo porque o acalma como um cházinho de tília e quando depois me espeta o seu gáudio avantajado até aos testículos, feitos maracas com as sementes espermáticas aos pulos, a marcarem o ritmo nos meus lábios secos já é como enfiar um tampão cujo algodão não engana.

Não me move a cópia da história da O que sempre tinha a sorte de mais do que um gajo para petiscar mas a paz de quando ele tomba para o lado com o seu orgulho macho como ovos moles e me dá ganas de trincá-lo .

Pornografia pura


Foi ontem de madrugada que vieram. Enquanto eu dormia profundamente após mais uma intensa sessão de tuitagem. Nua como é meu hábito para sentir a frescura do lençol.

E não chegaram para me fazer festas mais adiante que a barrinha do Blogger está criteriosamente escondida pela cortina do html. Quais enviados da Microsoft vieram os bufos para acabarem com a minha open source colocando-me ao peito a estrela de «blogue de conteúdo reprovável». E como não me passa pela cabeça nem por qualquer fímbria do meu corpo ter a fama sem ter o proveito sempre lhes digo Ide, ide-vos foder ou ide levar no cu, consoante aquilo que gostardes menos.




[Imagem gentilmente enviada por Xico L.F.]