O respeitinho é muito bonito


Como hoje é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, lembro-me de todos os locais onde já fui muito feliz na companhia dos diversos monumentos que admirei, com genuínos gemidos de sim querido, força querido, vai todo, ai jesus, seguidos dum urro descomunal ou de um silêncio expirado.

Contudo, isto não quer dizer que a História não seja mais volúvel do que eu que bem a vejo a beijar a boca de qualquer um que queira fazer uso dela. Às vezes, até é capaz de desmentir que D. Sancho II andava sempre com a tropa de rijos moçoilos da Ordem de Santiago em altas cavalarias por esse país fora ou que a D. Isabel era mesmo uma Santa e assim encaminhou o inspirado D. Dinis para canções de amor a todo o rabo de saia e à arte de bem cavalgar toda a sela que mais tarde sugerirá a um outro rei um livro que foi top de vendas nacional. Até serviu o linguarudo do Fernão Lopes para dizer que o D. Pedro, aquele Romeu da D. Inês, era biscoito por gostar de andar no Rossio à cata de moços. Isto já para não falar que encobriu as mesmas inclinações ao louro imberbe chamado Sebastião e ao Henrique do chapéu grande, embora esse fosse mais cativado pelos pescadores algarvios antepassados do Zézé Camarinha e pelos marinheiros de peitos musculados e tisnados pelo sol. Até com o D. João V lhe adensou os romances , particularmente com a Madre Paula e o seu convento de meninas, não sendo estranho que ainda hoje se glorifique a marmelada de Odivelas, e repetiu a mesmíssima coisa com o filho deste, o D. José, galhardo cavaleiro de nobres alcovas e donzelas e única justificação do cavalo que lhe dedicaram no Terreiro do Paço que aliás só verá a sua obra de mestria retomada por D. Carlos.

Mesmo sem olhar para um qualquer menir de Reguengos de Monsaraz creio que é uma ciência encontrar sítios, como por exemplo as guaritas dos castelos ou os jardins do Convento de Cristo, para penetrar no monumento que está ali à nossa frente e fazer história viva.

Beleza real



Ou porque é que a primeira vista é má conselheira.

Sempre *


Eu não tenho noção, Senhor Doutor, do que era namorar sob constante vigilância dos pais, no recato de palavras de circunstância partilhadas por todos os presentes, fazendo a todos virgens das coisas sentidas que se dizem quando vivemos em estado de paixão. E só tenho uma pálida ideia da reprovação que se geraria por beijos dados em locais públicos, como se fosse possível ter hora e local marcados para os dar, como um dever para cumprir. Nem me lembro dos tempos em que não se usava mini-saia e o simples despontar de um joelho numa saia fosse motivo de júbilo erótico ao som de "olha que coisa mais linda, mais cheia de graça". Já sou do tempo em que basta aos homens usar calções na praia, sem a camisola de alças e sempre me torrei ao sol em biquini ou a fazer topless.

E apenas porque mo disseram, sei que Salazar mandou encerrar os sanitários do Largo da Anunciada para impedir um seu ministro de lá andar à cata de outros homens, já que na minha experiência de vida sempre foi habitual encontrar no meu leque de amigos alguns com orientação sexual diferente da minha e nunca estranhei que se revelem na classe dos padeiros ou dos políticos, como qualquer outra pessoa deste país.

Lembro-me melhor, Senhor Doutor, das filas enormes para votar nas primeiras eleições, sem pensar que não era necessário ser chefe de família, ou homem, ou mulher com determinadas habilitações literárias e apenas me irritar o cretino do meu bilhete de identidade não apresentar os 18 anos que me permitiriam votar também.

E recordo-me, claramente, de sair de um daqueles espectáculos de rua das noites de 24 de Abril, completamente abraçada àquele moço fininho como um espeto e uma força motriz a impelir-nos que nos beijássemos a cada cinco metros de rua e de entrarmos no dia seguinte, esparramados em lençóis, numa amálgama das partes dos nossos corpos nus, cansados de tanto suar um sobre o outro como as marés a bater na rocha, como a chuva a escorrer das nuvens, como as plantas a romper da terra, guardando como senha do momento "25 de Abril Sempre".



Pedro Portugal]

Texto originalmente publicado em 24.04.2006

Uma Maria de pulso firme

A Sharapova. Que no domingo próximo é senhora de 22 aninhos.

Maria Sharapova (daqui)

Maria Sharapova em 7 de Setembro de 2008 em Nova Iorque (Foto: © Theo Wargo/WireImage)

Um lustro de soltura


Com cinco singelas sanitas presto hoje homenagem ao Toze, pelo lustro que completa o seu Ministério da Soltura, ao serviço de todos os cidadãos cibernéticos, quaisquer que sejam os nichos político-económico-sociais em que se insiram, sempre sob o seu lema "Solta o teu pensamento".

O Toze é o nosso Primeiro! Então do fundo do coração, com toda a pujança e toda a cagança vai um Frá! Fré! Frí! Fró! Frú! Frá-fré-frí-fró-frú! Chiribiribi -tá-tá-tá! Hurra! Hurra! Hurra!


[Imagens © Worth1000 e Yatahonga ]

As regras


Desde tenra idade que os aplausos da mamã, do papá e dos familiares em geral o fizeram acreditar que ele tinha gracinha e como quem veste um pijama ele encasquetou esta qualidade como sua. Valha a verdade que na adolescência quando apalpava as mamas às colegas emitindo sonoros poim-poim e trocista dizia gosto das tuas buzinas conseguira mais risos do que estaladas.

O seu humor também me fisgou e lá passei a manteiga no seu pãozinho quente, ora agora barras tu ora agora barro eu. Eram mesmo momentos de pão para a boca que se a intimidade é perceber um pintelho a mais ou a menos, fazer de olhos fechados o gps para um sinal de nascença ou saber palmo a palmo a distância das nádegas ao escroto eu passo a acreditar no Pai Natal, no Tio Patinhas e na retoma da economia nacional como favas contadas.

Ora acontece que sempre que eu não estava sorridente como uma boneca insuflável ora porque discordava da opinião dele ora porque reclamava uma merda qualquer aquela boquinha graciosa desdenhava que era do período, como o seu melhor argumento para acabar com a conversa. E tive que lhe dizer que em boa verdade tinha regras, sendo uma delas não aturar gajos que discriminam as mulheres por uma questão de género já que também não o faço com aqueles que mijam de alto obrigando as sanitas a suportar aquele ensurdecedor ruído de cascata.


[Foto © Insomnia, 2006, Onde está a publicidade???]

PI da roupa ou não




[Imagem gentilmente enviada por Xico L.F.]

Mudar o cu de cadeira























hoje, dia do Tetraplégico, e experimentar todo um novo conjunto de sensações. O roçar das curvas da roda nas mãos. Ou tocar o botanito para avançar. O soerguer da cadeira para galgar o passeio e encaixar-se direita nele para continuar.







[Fotos © Theo Chalmers, feitas para o calendário de 2007 do Paul's Place]

Anda Bo Bo


Hoje não vale pena comentar os resultados desportivos da jornada e entristecer 6 milhões de portugueses que valores mais patrióticos nos entesoam. Que se lixe a crise e o resto já que a família Obama escolheu um cão de água português e baptizou-o de Bo e isto é que nos dá pica. Até podemos imaginar que chamamos o canito num anda Bo Bo, vem à dona Bo Bo. Só não tenho a certeza se devo pronunciar a vogal aberta ou fechada.

Louvor


Estou à rasquinha. Mesmo. Com as pernitas e a entremeada já a tremer na fricção. Mas caraças que só levanto as nalgas desta cadeira depois de lhe escrever uma carta de amor. É que não é todos os dias que se encontra um gajo que saiba fazer minetes e essa qualidade tem de ser louvada como os feitos de Nuno Álvares Pereira. Tenho de lhe transmitir como é único, ou quase vá lá, à laia de uma carta de recomendação para memória e mulheres futuras.

A chatice é que estou aqui às voltas com aquelas metáforas do mar e das rochas para ficar bonitinho e só me bate nos olhinhos aquela imagem dele afogado entre as minhas coxas, muito insistente com a ponta da língua como quem quer sacar mexilhões da rocha e varre-se-me tudo como se estivesse a boiar. Não é que o seu mais que tudo fosse uma fraca figura que apesar do primeiro impacto daquela pele por cima à laia de saco de serapilheira desapertado o facto é que puxadinha para baixo mostrava um carnudo cone para ficar alambazada. Diria até que me lembrava um tortulho mas tirei logo esta imagem da minha cabeça que depois como é que os poderia partir para mexer com ovinhos?...

E como já não consigo estar quieta com o cu na cadeira vou é resolver isto de uma assentada já escrevendo-lhe que como homem, cumpriu com lealdade as funções que lhe foram confiadas.


[Ilustração © David Palumbo, 2008, These Things Really Work! , Óleo]

Um poema à laia de coelhinho da Páscoa tirado da cartola


Cristo morreu há mil e tanto anos;
foi descido da cruz, logo enterrado:
mas até aqui de pedir não têm cessado
para o sepulcro dele os franciscanos.

Tornou Cristo a surgir entre os humanos,
subiu da terra aos céus, lá está sentado,
e ainda à saúde dele, sepultado,
bebem (o saco o paga) estes maganos.

E cuida quem lhes dá a sua esmola
que eles a gastam em função tão pia?
Quanto vos enganais; oh gente tola!

O altar-mor com dois cotos se alumia;
e o frade com a puta, que o consola,
gasta de noite o que lhe dais de dia.



Filinto Elísio (Lisboa/1734 - 1819/Paris) In Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, Lisboa: Antígona/Frenesi, 3ª edição, 2000




[Imagem: Capa da Playboy de Agosto de 1961]

Serviços públicos qualificados


Não vi com os dois que a terra há-de comer mas contaram-me que no tempo da outra senhora as funcionárias administrativas da autarquia lisboeta tinham de usar no serviço uma bata preta de um tecido fininho e acetinado que as cobria da base do pescoço até ao fundo do joelho como se fora uma burka de serviço.

E veio-me isto agora à memória por mor da proibição imposta às funcionárias da nova Loja do Cidadão de Faro de vestirem blusas decotadas, saias muito curtas, roupa interior escura, usarem saltos altos, perfumes com cheiro agressivo, e ao modo das discotecas selectas também gangas e ténis.

Como nem nunca fui adepta do Poison da Dior parece-me que a norma no que toca aos perfumes é uma medida a favor do ambiente e das pituitárias de cada cidadão mas também vi na televisão que é um indiscutível critério de verdade, que na inauguração da dita loja, o senhor que preside ao Conselho de Ministros defendeu uma administração pública mais barata e justamente aquele lugar como exemplo pelo que a medida no seu conjunto me parece uma oportunidade perdida de alavancar a qualidade e o embaratecimento dos serviços, colocando o foco na satisfação dos clientes. Isto pela simples razão que qualquer cidadão que se depare com o atendimento de uma funcionária apetecível à vista pelo que do seu corpo descobre sente mais que ela está a dar o máximo no seu local de trabalho e que é alvo de um superior atendimento ganhando desta forma uma muito melhor imagem do serviço público. De igual modo, os sutiãs escuros sob blusas claras ou de transparências certariam puxariam os cidadãos a agradecerem tal atendimento com uma bonificaçãozinha à funcionária, à laia de comissão ou de gorjeta de empregado de mesa, o que revertido para a Loja contribuiria para diminuir as despesas da mesma. Creio também que o público feminino da Loja a usaria como recurso alternativo às montras dos centros comerciais para saber como param as modas, entendendo o serviço como uma mais-valia.

Em suma, impedir o empenhamento dos funcionários na melhoria da qualidade dos serviços prestados parece-me um desperdício de recursos.

[Foto © Agent Provocateur, 2009]

A dança da burka

Dahhhh*


Oh Senhor Doutor receite-me qualquer coisita para dormir que eu já não posso mais com a repetição diária daquele pesadelo nocturno.

Está a ver aquela esplanada próxima da pujante estátua do Cutileiro, não está?... Pois, começa sempre aí. Estamos sentados naquelas mesas pesadas de ferro com a esplanada a abarrotar de gente quando um enxame de meninas ciganas ou romenas, de alinhadas tranças loiras, nuazinhas e sem pêlos como nos postais eróticos do início do século XX, começa a distribuir beijinhos em troca de moedinhas reluzentes, zumbindo a valsa da Bela Adormecida.

Um dos meus afunilados sapatos cor de rosa salta em voo para o lago ao mesmo tempo que a respectiva perna se levanta para o pé tocar o fecho éclair fronteiro, subindo e descendo até a curva do pé se moldar perfeitamente na excrescência resultante. Os olhos dele sugam-me e reconstituo-me no seu colo , com a lycra das meias a rasgar pela fricção nas costas da cadeira e graças à discreta ajuda das mãos dele que enganchadas nas minhas nádegas, as equilibram constantemente. Desço os meus lábios entreabertos, a pairar sobre os dele e como um camaleão apanho-lhe a ponta da língua que sorvo como a um bago de uva morangueira. Sinto a sua polpuda pele arroxeada bulir na minha como o volteio do vento numa folha. E enquanto o seu indicador esquerdo macera a minha bolota arredondada, espremo-o, compassadamente, dentro de mim. Toda a gente está nua, apenas adornada de um filete preto como se resultássemos do risco de Crepax e copulam cadenciadamente exibindo a luminosidade dos corpos até que os empregados da casa, compostinhos nos seus laços sobre camisas engomadas aparecem diligentes a avisar que há fogo na cozinha e convém evacuar a área.

E aí acordo sobressaltada, Senhor Doutor e só me apetece dizer dahhhh... porque não é justo nunca ver o final do filme.



* Texto publicado originalmente em 24.04.2005

PI da paixão do senhor santo cristo

© Jeff Koons, 1990, Jeff and Ilona (Made in Heaven), madeira pintada

© Jeff Koons, 1991, Blow Job (Kama Sutra), vidro

© Jeff Koons, 1991, Jeff eating Ilona (Kama Sutra), vidro

Sim, nós podemos!
Sugestão São Rosas: "Yes we fan"... ou seja, "sim, nós fodemos"



Sacanas


Não é que o ar que se respira me recorde 1973 que eu era catraia e nem me lembro de nada que sempre comi muito queijo. Não é sequer que julgue que a actualidade tenha alguma ligação com o poema que longe vá o agoiro de me cair um processo em cima, por Toutatis. Foi mesmo por acaso, por uma mera coincidência e um almoço grátis que me lembrei dos clássicos, de Jorge de Sena e do seu «No País dos Sacanas»:

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

10/10/1973

Absolutamente masculino


Postal erótico de 1920

cartaz publicitário do final do século XX

Alinhar ao centroFoto © J.P. Sousa, 2006

Um bolo fabuloso para a Fabulosa

para lhe desejar um feliz dia de aniversário com o Rodrigo Santoro nuzinho de prenda.







De fazer chorar as pedras da calçada


Vou contar-vos uma história de fazer chorar as pedras da calçada, uma antiga tradição alfacinha pós-campanhas eleitorais por mor das recargas betuminosas nas ruas taparem os sumidouros e as primeiras chuvas fazerem lagos sobre as pedrinhas calcárias.

Ela nem nascera feia de cara e quando começou a botar corpo entesoava qualquer homem tanto que o seu pai à força de gritos e estalos na sua mãe proibiu que ela circulasse em cuecas e sutiã pelo lar de família. Foi desde o dia em que por trás a agarrou pela cintura, encostou-se tanto às suas nádegas que ela bem lhe sentiu o abono de família avolumado e a largou com um estridente estalo na cara a mandá-la vestir que o respeito é uma coisa muito bonita.

Quando abalou daquela casa pensou que faria da sua vida o que quisesse mas o seu marido era devoto da congregação dos chefes de família e rapidamente lhe mostrou que ela estava ali para lhe servir os apetites na mesa e na cama que só podia cozinhar os pratos favoritos dele e o facto de ela nunca ter orgasmos era coisa de somenos desde que os espermatozóides nossos de cada dia se escoassem, usando os punhos como o seu melhor argumento.

A vizinha do lado é que não acreditou que as nódoas negras eram resultado fortuito de batidelas nas esquinas do mobiliário e começou a oferecer-lhe as orelhas para descarregar as lágrimas e nessa barrela até lhe massajou as carnes pisadas com um creme reconstitutivo da pele. Consolada pela vizinha foi num imenso gáudio que descobriu que o clítoris correctamente sorvido é um eficiente short cut para chegar ao orgasmo.


[Foto © bernardo coelho, 2008, Fetiche for Charity #2]

PI das ilusões urbanas

Um chocolatinho disponível para uma pausa
Alternativa Fatyly: Carago, aind viro mousse com natas e a gaja não vem!

Uma geisha nos transportes públicos

Uma loira atenta
Alternativa Fatyly: eu bem tinha razão que não era assim...agora que aguente ou faça à mão!

[Imagens de Bloguerrilla e gentilmente enviadas por Ar.Carv. e Xico L.F.]

Três de tintas e pincéis

é o título da exposição de Claire-Françoise Fressynet que hoje estará patente em diversos espaços públicos da blogoesfera para comemorar os 3 anos do seu blogue. A redacção do Chez 0.3 associa-se ao evento enviando efusivos parabéns à autora.




Manobras


Atirei-lhe com a gravata para um canto qualquer para lhe agarrar o pescoço com ambas as mãos e mordiscá-lo gulosamente em sonoras sucções enquanto ele se debatia com o casaco para o fazer sair de si e tentava acertar-me com beijos numa qualquer nesga de cara. Resolvi ajudá-lo abrindo-lhe os botões da camisa e premiando-o com um beijo por cada pedacinho de peito descoberto enquanto ele se desenvencilhava do cinto para as calças descaírem abaixo da linha do rabo e rapidamente levava uma mão ao material de trabalho para avaliar o estado de prontidão. Julgo que determinou falta de aquecimento e num frenesi puxou-me para atirar a sua língua desesperada para dentro da minha boca, levantou-me a camisola para num instante sacar os mamilos fora do sutiã e alternadamente os chupar e não satisfeito desceu a língua pela linha mediana do meu corpo até se ajoelhar na minha fonte como um petiz deliciado pelo suco dos medronhos.

Era a minha deixa para o atirar para cima da cama com a pressa de nem tirar o edredon e acocorada entre as suas pernas abertas fazer entrar em ebulição a sua cafeteira. Não me esqueci das piscadelas de olho cúmplices enquanto a media com a língua. Não me esqueci de a tragar começando pelo topo e bocadinho a bocadinho engoli-la toda. Não me esqueci de infiltrar as mãozinhas pelas suas nádegas e testículos em amassos constantes mas não havia maneira de levantar fervura.

O seu olhar sorria a meia haste como a pedir desculpa de já ter ultrapassado a barreira dos quarenta mas teve a hombridade de não pronunciar que tal nunca lhe tinha acontecido. E desta sorte me sentei de pernas abertas com os pés a tocar-lhe os sovacos , aconchegando a minha menina às suas bolinhas e de mão pronta e rápida comecei com afã a subir e a descer o seu menino, o seu corredor de fundo, enquanto repetia o mantra Força! Isto vai! Isto vai!


[Foto © Paulo Madeira, 2007, Manobras]

Soneto dos piolhos


Que fio de ouro, que cabelo ondulado
piolhos não criou, lêndeas não teve?
que raio de olhos blasonar* se atreve,
que não foi de remelas mal tratado?

Que boca se acha ou que nariz prezado
aonde monco ou escarro nunca esteve?
e de que cristal ou branca neve
não se viu seu besbelho* visitado?

Que papo de mais bela galhardia,
que um dedo está do cu só dividido,
não mijou e regra tem todos os meses?

Pois se amor é tudo merda e porcaria,
e por este monturo* andais perdido,
cago no amor e em vós trezentas vezes.

Composição anónima do séc. XVII In Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, Lisboa: Antígona/Frenesi, 3ª edição, 2000


* blasonar = mostrar com alarde, ostentar;vangloriar-se, gabar-se.
* besbelho = ânus
* monturo = lixeira; monte de esterco; acervo de coisas repugnantes

[Imagem gentilmente enviada por IR]

Variações do António





Ele diz que não é nada.

Mas se lá formos correr a cortina descobrimos um corpo de ternura a palpitar nas suas inquietações . Como se atrás das soltas finúrias bem-humoradas estivesse uma montanha de sensibilidade e amor esculpida nos momentos amargos da vida que dá pelo nome de .




[Foto © rêve d'hommes]

Ajustamentos à burka



[Vídeo gentilmente sugerido por CF]

PI das minhas Burkas tristes

Burka na praia

Burka no automóvel

Burka no hospital

Burka na boneca

© Joana Vasconcelos, Burka, 2002 (Ferro pintado, tecidos, silicone, sistema eléctrico, motor, temporizador, cabos de aço, poliuretano e palco de madeira, 670 x 600 x 500 cm)

[Imagens gentilmente enviadas por AVC]

PI das minhas Burkas alegres



[Cartoons gentilmente enviados por AVC e Xico L.F.]

História de Oh*

Porque o site do Inimigo Público já está on line.



Estranhei aquele pinchavelho à laia de fósforo assim espetado na orelha, a descer lentamente pelas escadas rolantes, como se uma câmara de filmar o acompanhasse. Pareceu-me mais fauna do Atrium do que daquele lado ou a julgar pelo ar apardalado do sujeito, acabadinho de sair da matiné do Brokeback Mountain. Olhou as mesas a toda a volta e encaminhou-se para o fulano mais plácido que ali estava, com qualquer coisa de celta ou bretão, encorpadito de largura como diria o Obélix, que afincadamente lia o Público, resguardando nele a cara. Não fossem as mãos vazias a ondular ao compasso do piercing e eu diria que o que estava de pé se ia aproximar para lhe ofertar uma bonina.

Debalde que o gajo somente encostou as coxas das calças à mesa e debruçando-se sobre o outro indagou as horas. O do jornal respondeu apenas ao que lhe fora perguntado. Dada a diferença de idades tinha idealizado logo ali uma cena digna do alto do Parque mas em plena luz eléctrica. Só que aqueles marmelos, nem um ósculo de despedida, nem um sorriso cúmplice. Ora paga ali uma pessoa a sua bica e embora confortavelmente sentada, não assiste a nada que faça rolar duas ou três linhas de imaginação. Neste ínterim, suponho que devido aos meus olhos coladitos ao pescocito do que estava já com o jornal no regaço, despoletou a sua vista interrogativa na minha direcção. E se bem que exalasse uma meiguice de antigamente, cruzei uma perna sobre a outra que é coisa que não me magoa nada e subi e desci o peito num suspiro, baixando as pálpebras para o ignorar. A crueldade era a maior amabilidade que lhe podia dar.

É que sabe, Senhor Doutor, às vezes faço a caridade de ser uma boneca de porcelana para não estilhaçar os pensamentos dos outros como num atentado terrorista.


*Texto publicado originalmente em 27.03.2006

O CU-CU já tem 3


E para celebrar os três anos do CU-CU que se hoje se completam rigorosamente como a linha que separa as duas nádegas às 16:33, os Sigur Ros correm atrás da sua autora, a Gotinha, vestidos a preceito, para a encher de beijos.


[Imagem © Capa do álbum With A Buzz In Our Ears We Play Endlessly dos Sigur Ros]

Uma na mão

© Rafael, 1516, La fornarina

Postal erótico do início do século XX

© Lucien Freud, 1952, Girl with a dog

Foto © Amanda Com, 2007, Detalhe de Luxo

Diga 33 na próxima curva


O Mestre Joao, exímio geógrafo cuja especialização o faz pender para as curvas, com nível, diz hoje 33 e como já não está na moda a farinha do tempo dos nossos avós, pedi à Angelina Jolie que o parabenizasse a preceito.











[Imagem criada aqui a partir de um original de © Sourgirl, Angie]

Convença a sua sanita



de que hoje é dia das mentiras.


[Imagens daqui]

Peixe de Abril


Na França do século XVI a chegada da primavera marcava o início de cada ano e comemorava-se com uma semana de festas, para dar largas à testosterona fresquinha e naturalmente fazer o que todos os bichinhos gostam.

As festas escorriam goela abaixo e monte de vénus acima desde o dia 25 de Março até 1 de Abril, sendo este último o dia de Ano Novo. Só que depois um iluminado pela cadeira do poder que na época se chamava rei resolveu chamar pelo Gregório e este enviou-lhes o seu novo calendário, ainda sem mulheres nuas - nem excomunhão dos preservativos que só no século seguinte se iniciariam com tripa de porco - embora com a particularidade de começar o ano no dia 1 de Janeiro, uma coisa nunca antes vista.

Muitos franceses ficaram de queixo caído e não por se estarem a babar pela Jessica Alba ou pela Scarlett que estas ao tempo seriam por demais escanzeladas para excitarem os machos e porque, valha a verdade, ainda nem sonhavam ser espermatozóide ou óvulo, pelo que teimaram em seguir o calendário antigo. Mas outros, muito seguidores da moda acabadinha de ditar, fizeram disso pagode enviando-lhes presentes estranhos e convidando-os para festas inexistentes e este costume propagou-se etiquetado como Peixe de Abril, Dia das Mentiras ou Dia dos Tolos, na língua inglesa.

O hábito perdurou e numa acção de marketing pioneira o jornal pernambucano A Mentira começou a sair para rua exactamente no dia 1 de Abril de 1848 com a cacha da morte de D. Pedro que desmentiu no dia seguinte. E fazendo jus ao seu nome, na sua última edição, em 14 de Setembro de 1849, convocou os credores para uma regularização de contas no primeiro de Abril do ano seguinte.



[Calendário feito aqui a partir de imagem gentilmente enviada por JPS]

Ai que já lá vão

13 anos.